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COVID-19 e Medicações para Hipertensão

A informação é uma das melhores armas para superar essa crise. Veja as orientações da Dra. Mariana sobre o que fazer com as medicações de controle da Hipertensão no contexto do COVID-19.


Nas últimas semanas alguns trabalhos já frutos da pandemia pelo coronavírus na China, sugeriram uma relação entre maior taxa de mortalidade de pacientes com COVID-19 e uso de algumas medicações (IECA, BRA, Anti-inflamatórios como Ibuprofeno e medicações para Diabetes tipo 2, as Tiazolidinedionas/Glitazonas).


Vale ressaltar para todos os pacientes e pessoas leigas nos assuntos médicos que quando falamos que estes trabalhos “sugerem” alguma coisa, significa que ainda não existem dados concretos ou suficientes para indicar alguma tomada de decisão a respeito destas medicações no nosso contexto de pandemia pelo coronavírus, ou seja, não temos até o presente momento uma verdade absoluta do que devemos fazer.


Estas medicações tem em comum usarem a mesma via metabólica no nosso organismo e um dos resultados deste processo é o aumento da quantidade de uma enzima natural do nosso organismo chamada de ECA2. Esta enzima ECA2 é usada pelo coronavírus para infectar as células do nosso organismo e acreditasse que a ECA2 em maior quantidade (por conta do uso das medicações que estamos citando acima) facilite a replicação do vírus no nosso organismo, aumentando a gravidade da infecção.


Todas estas informações são frutos de dados e estudos experimentais, ou seja, não são evidências científicas consistentes e não podemos dizer hoje que estas medicações efetivamente otimizem o potencial de infecção do coronavírus.


É de conhecimento de todos que pacientes hipertensos e diabéticos são pacientes de risco para a COVID-19 na sua forma grave. Mas o que tem sido evidenciado nos estudos é que estar com a hipertensão e/ou diabetes descompensados aumenta o risco de se ter as piores complicações do COVID-19.


Pacientes diabéticos com glicemia controlada tem as mesmas chances da população em geral para se infectar com o coronavírus, porém a hiperglicemia (glicemia alterada) tornaria a resposta imunológica do paciente pior em relação às pessoas que não têm diabetes ou aos diabéticos bem compensados, o que deixa o organismo em desvantagem para combater o vírus.


Pensemos:

“Ser hipertenso e/ou diabético já me torna um paciente de risco para desenvolver um quadro grave de COVID-19.” Ok?


“Suspender as medicações para controle da hipertensão e/ou do diabetes descompensaria estas doenças de base.” Correto?


“Se eu estiver com minha pressão descompensada e minha glicemia elevada, as minhas chances de ter um quadro grave são ainda maiores”. Registrou?


Portanto, os pacientes infectados ou não com o novo coronavírus que tenham hipertensão, diabetes ou insuficiência cardíaca e estejam em uso de IECA ou BRA devem, junto ao seu cardiologista fazer uma avaliação individualizada em relação ao risco cardiovascular da suspensão destas medicações versus o risco potencial de complicações pelo COVID-19.


Estando o paciente estável clinicamente, assintomático e atualmente em isolamento social no seu domicílio, o contato com o seu médico pode ser feito por vias alternativas as consultas presenciais: ligações telefônicas, via mensagens de celular ou redes sociais e até por e-mail, por exemplo.


A gravidade dos quadros de COVID-19 está sabidamente associada a idade do paciente, ao tempo de doença (tempo de sintomas da infecção pelo coronavírus) e aos problemas de saúde de base (comorbidades/doenças crônicas) deste paciente. Com isto, muitos fatores devem ser considerados quando uma decisão for tomada quanto à manutenção ou não das medicações dos pacientes, neste contexto de pandemia pelo COVID-19.


Costumo dizer aos meus pacientes que na medicina nada é tão simples e que não dizemos “nunca” ou “sempre” quando o assunto é corpo humano.


Na prática de um médico coerente, o que embasa as decisões que tomamos com cada paciente está na probabilidade de sucesso em fazermos aquilo, probabilidade esta gerada por estudos científicos adequados que demonstraram que determinado remédio ou procedimento realmente vale a pena, pesando os riscos e os benefícios que todos os tratamentos trazem consigo.


Enfim, a decisão de modificar ou não as medicações que estão cronicamente em uso, cabe ao médico e não ao paciente, porque consequências indesejáveis podem surgir com estas mudanças.


O contato com o seu médico pode ser feito por vias alternativas neste contexto de isolamento social, então, busque orientações de como acessar o seu médico, via telefonemas, e-mails, mensagens, por exemplo, para evitar uma exposição física em transportes coletivos, recepções com aglomerações de pacientes, elevadores, etc.


A melhor maneira de se lidar com este risco de infecção pelo coronavírus ainda é, sem dúvida alguma, a prevenção e a maneira mais fácil, mais segura e mais econômica de se fazer essa prevenção é: ficando em isolamento social no seu domicilio ou evitando exposição desnecessária em ambientes coletivos, mantendo bons hábitos de alimentação/hidratação e mantendo controlados os seus problemas de saúde de base, sem automedicações ou suspensão desassistida do seu tratamento. Cuide-se com sabedoria e lembre você não está sozinho para isto.


Referências:

Are patients with hypertension and diabetes mellitus at increased risk for COVID-19 infection? In: MICHAEL, Roth et al. Publicado on-line em 11 mar. 2020. Disponível em: https://www.thelancet.com/action/showPdf?pii=S2213-2600%2820%2930116-8

Risk Factors Associated With Acute Respiratory Distress Syndrome and Death in Patients With Coronavirus Disease 2019 Pneumonia in Wuhan, China. In: YUALIN, Song et al. Publicado on-line em 13 mar. 2020. Disponível em https://jamanetwork.com/journals/jamainternalmedicine/fullarticle/2763184?guestAccessKey=57c8840d-7709-4d48-887c-e8b680f9ef0c&utm_source=silverchair&utm_medium=email&utm_campaign=article_alert-jamainternalmedicine&utm_content=olf&utm_term=031320

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