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Hormônios da hipófise produzidos em excesso podem levar a várias enfermidades


Dr. Luís Antônio Lima – Endocrinologista da Center Cardio


Os hormônios produzidos pela hipófise, glândula bem pequena, localizada na base do cérebro, são responsáveis por estimular a tireoide (corticotropina), por controlar a função de diferentes glândulas endócrinas, estimulando-as a produzir outros hormônios (foliculoestimulante e luteinizante) e também pelo crescimento durante a infância. Seu pleno funcionamento é vital para o organismo. Por isso, é fundamental que qualquer alteração na produção desses hormônios seja avaliada por um médico endocrinologista.


Há problemas de saúde facilmente identificáveis, que se devem à produção excessiva de alguns dos hormônios da hipófise, como por exemplo a hiperprolactinemia, produção excessiva de prolactina, que leva à irregularidade menstrual, infertilidade, redução da libido e impotência (nos homens), e que pode ser acompanhada de uma galactorréia (produção de leite fora do período puerperal).


A produção excessiva do hormônio de crescimento, acromegalia, é outro distúrbio que leva ao gigantismo na infância, e em adultos caracteriza-se pelo aumento das mãos e pés, além de face característica com embrutecimento das feições, alargamento do nariz, aumento dos lábios e língua, aumento da fronte, sudorese excessiva e dores articulares. Pode provocar ainda doenças como diabetes, aumento do coração, hipertensão e aumento da tireoide.


A hipófise pode ser afetada também pela doença de Cushing, provocada por um tumor, geralmente muito pequeno, que produz um hormônio hipofisário e estimula a produção de cortisol pelas suprarrenais. Tal síndrome provoca aumento de peso, principalmente com aumento da gordura na face e tronco, mas com membros finos, pele fina com estrias largas e violáceas e hematomas. Os portadores desta síndrome, em geral, padecem de diabetes mellitus e de hipertensão arterial de difícil controle.


A maioria das lesões da hipófise são adenomas (tumores benignos) que podem ser funcionantes (produzir algum hormônio em excesso) ou não funcionantes. Nos casos das lesões funcionantes, o paciente pode apresentar uma síndrome (conjunto de sintomas e sinais) cujos sintomas estão atrelados ao hormônio que produzido em excesso tanto por um microadenoma (tumor menor que um centímetro), como por um macroadenoma (tumor maior que um centímetro).


No caso das lesões não funcionantes (que não produzem nenhum hormônio em excesso), os sintomas dependem do tamanho do tumor. Assim, nestes pacientes, a suspeita de lesão hipofisária será feita a partir de sintomas como cefaleia e alteração da visão, principalmente dos campos temporais da visão. Em outras palavras: o paciente pode apresentar visão central normal, mas não enxergar bem as laterais. O teste pode ser feito com o paciente olhando um ponto fixo à frente, avaliando o quanto percebe movimentação feita na região lateral do rosto. O diagnóstico pode ser feito por meio do exame oftalmológico conhecido como campimetria.


Outros sintomas possíveis são dependentes da destruição do tecido hipofisário normal, comprometendo a produção dos hormônios da hipófise. Por isso, em qualquer caso de lesão hipofisária, é possível observar alteração menstrual nas mulheres ou da potência nos homens; redução dos pelos corporais; sintomas de hipotiroidismo, como frio excessivo, pele seca, desânimo, esquecimento; e sintomas da falta de cortisol, como queda da pressão, principalmente quando em pé, perda de peso e do apetite.


Como os tumores são as lesões mais comuns, a cirurgia está indicada em boa parte dos casos. No entanto, em tumores produtores de prolactina, os prolactinomas, o tratamento medicamentoso é mais eficaz que a cirurgia em tumores grandes e tão eficaz quanto a cirurgia em tumores menores. Por isso, o tratamento de escolha na maioria dos prolactinomas é medicamentoso.


Há medicamentos eficazes também no tratamento da acromegalia. Embora a cirurgia ainda seja a primeira opção para a maioria dos casos, o tratamento clínico pode ser indicado após cirurgia que não foi curativa ou como primeira opção em casos nos quais a cirurgia seja contraindicada, ou em casos individuais.


A cirurgia geralmente é realizada pela via transesfenoidal, pelo nariz, via utilizada quase que exclusivamente para a hipófise. A radioterapia também pode ser útil para o controle do crescimento do câncer, em casos com tumores mais agressivos e invasivos, nos quais a cirurgia pode obter apenas ressecção parcial da lesão. Pode ser fracionada em doses pequenas, em 20 a 26 aplicações, ou em uma única aplicação chamada de radiocirurgia.

O importante é buscar orientação com o médico especialista logo que perceber os sintomas ou sinais de algum problema na tireoide. O diagnóstico precoce pode fazer a diferença no tratamento da doença.

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